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21/10/2010

Mercopar abre espaço para discutir os impactos do desenvolvimento


Maurício Concatto
Igor Morais mostrou as reais condições de crescimento do Brasil e as implicações econômicas no cenário interno atual

Quarto Seminário Gaúcho de Gestão de Suprimento, na Mercopar, trouxe o economista da FIERGS, Igor Morais, e o executivo da área da navegação e professor do pós-graduação da Unisinos, Giovani Grassi

Caxias do Sul/RS - O ''Crescimento Econômico e Impactos na Logística'' foi o tema principal abordado nas palestras realizadas quarta-feira (20), no Seminário Gaúcho de Gestão de Suprimentos, durante a 19º Mercopar em Caxias do Sul. Em sua quarta edição, o evento contou com a participação do economista da FIERGS (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul), Igor Morais, e do executivo da área da navegação e professor do pós-graduação da Unisinos, Giovani Grassi.

Na abertura do evento, o diretor de Administração e Finanças do Sebrae/RS, Léo José Borges Hainzenreder, enfatizou a importância da área de suprimentos na cadeia industrial, destacando feiras como a Mercopar, que nos últimos anos ganharam um enfoque diferenciado, com expositores não mais voltados apenas para a venda de seus produtos, mas também para a compra e descoberta de novos produtos e tecnologias.

CENÁRIO - Ao abordar o ''Cenário Econômico Incerto'', o economista Igor Morais mostrou as reais condições de crescimento do Brasil e as implicações econômicas no cenário interno atual. A dinâmica da economia mundial também foi comentada pelo palestrante, que avaliou ainda a desvalorização do dólar e do endividamento do Japão. “O cenário não é bom nos Estados Unidos”, afirmou.

Igor Morais considera que o ritmo forte de crescimento do Brasil verificado nos últimos anos vai entrar em choque futuramente, devido à falta de mão de obra qualificada. “Uma em cada quatro empresas tem dificuldade de encontrar profissionais qualificados”, observou. Citou ainda que 2010 registra a vinda de 22 mil profissionais estrangeiros para o Brasil, sendo 59% deles com curso superior e cerca de 90% contratados temporariamente. “Como gerar mais empregos se não há trabalhadores qualificados? Essa conta não dará certo”, declarou, fazendo previsão do surgimento das consequências para este problema já em 2011.

Na sua avaliação, o Brasil pode crescer, mas precisará de ajuda. Esta previsão de desenvolvimento irá se configurar apenas se o país continuar tendo condições de exportar seus produtos e se o mundo continuar crescendo e investindo no Brasil. Neste ponto, as questões infraestruturais das rodovias e energia podem prejudicar. “Nos últimos dez anos foram implantados 500 mil quilômetros de estradas, número menor do que foi feito na década de 80”, exemplificou. Numa previsão de crescimento de 5% nos próximos anos, a questão energia será outro problema. “Talvez não falte, mas vai bater no bolso”.

TRIBUTOS - O economista também comentou que, para atrair investidores estrangeiros, o Brasil precisa rever sua legislação tributária. Mas a boa notícia é que o país tem uma janela de oportunidades para crescimento interno até 2022, se der mais atenção à população jovem, para evitar ficar “pobre e velho”. Igor Morais também chamou a atenção para a preocupação com a concorrência de mercado com a China, destacando que o país que vai realmente incomodar no futuro é a Índia. “A China é um país envelhecido, enquanto a Índia tem aumentado sua força de trabalho, inclusive com as mulheres, que hoje estudam e ganham espaço no mercado de trabalho'', complementou.

CRESCIMENTO DEPENDE DE LOGISTICA EFICIENTE - Há alguns anos, mesmo tendo um cenário favorável para exportações, problemas de logística fizeram empresas brasileiras encerrarem suas atividades, por não conseguirem entregar seus produtos. Foi comentando esse “apagão logístico” que o executivo da área da navegação Giovani Grassi iniciou sua palestra ''Logística de Distribuição Brasileira na Nova Realidade Econômica'', no 4º Seminário Gaúcho de Gestão de Suprimentos.

Durante a palestra, Grassi destacou a necessidade de uma logística eficiente para o desenvolvimento econômico de um país e falou da falta de estrutura para o transporte aquaviário, em especial a situação desfavorável dos portos brasileiros, que não têm como receber navios maiores, o que torna o transporte mais caro.

De acordo com ele, nessa questão logística, se faz necessário uma mudança de cultura. Giovani Grassi comentou que, diferente do que acontece no Brasil, 90% das exportações mundiais são feitas por via marítima e que a globalização criou uma pressão para estruturar esse setor brasileiro. “Continuar entregando cargas que saem do Sul do Brasil no Nordeste, de caminhão, não dá mais”, declarou, acrescentando que o movimento marítimo mundial dobrou em 100% e as exportações brasileiras, em 101%, no início da década. “A estrutura não aguentou esse ritmo”.

Por outro lado, a malha ferroviária foi a que mais recebeu investimentos nos últimos anos e é uma excelente alternativa. ''As ferrovias, depois que foram fracionadas pelo governo federal e entregues à iniciativa privada, melhoraram em infraestrutura e foram modernizadas''. Grassi também chamou a atenção para o eixo de cabotagem, com transporte de cargas feito pela Costa brasileira, que pode ser estruturado e receber investimentos, tornando-se outra boa opção.

HIDROVIAS - O potencial das hidrovias do Rio Grande do Sul e o baixo índice de internacionalização do Brasil (o mais baixo da América Latina) foram outros temas debatidos durante o Seminário. Grassi comentou, ainda, os custos com logística no Brasil (60% com transporte, 31% com estoque, 4% com administração e 5% com armazenagem). Por fim, definiu que para o Brasil chegar a uma estrutura logística de primeiro mundo, precisa rever quatro fatores básicos: qualidade de infraestrutura, nível de serviços, aduana e órgãos anuentes, e confiabilidade.
Fundação Projeto Pescar

A renda das inscrições do 4º Seminário Gaúcho de Gestão de Suprimentos será revertida para a Fundação Projeto Pescar. Este é o quarto ano que a franquia social é convidada pelo Sebrae para ser uma das entidades contempladas pelo evento. O Seminário Gaúcho de Gestão de Suprimentos foi um evento idealizado pelo Núcleo Estratégico de Suprimentos – NES. A iniciativa surgiu na edição da Mercopar de 2007, a partir do Projeto Comprador. O gestor de Suprimentos da Gerdau, Mauro Mocellin, apresentou o NES aos participantes do Seminário. ''Ainda se fala pouco sobre suprimentos no Rio Grande do Sul e este evento é uma oportunidade para disseminar informações e debater o assunto, dentro de um quadro de mercado cada vez mais exigente em termos de qualidade e segurança'', sintetizou.

A 19ª edição da Feira de Subcontratação e Inovação Industrial, promovida pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul (Sebrae/RS) e pela Hannover Fairs Sulamerica, empresa do Grupo Deutsche Messe AG, reúne 558 expositores, relacionados especialmente aos setores eletroeletrônico, metalmecânico, automação industrial, borracha, energia e meio ambiente, movimentação e armazenagem de materiais, plástico e serviços industriais. O horário de funcionamento é das 14h às 21h. Informações adicionais sobre o evento estão disponíveis no site www.mercopar.com.br ou pelo telefone 0800.701.4692.

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