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| Rana Roy, diretor-residente nos EUA do EEPC Índia, acompanha a missão |
O objetivo é mostrar a capacidade e os grandes avanços alcançados pela indústria da engenharia indiana
A Índia, o país parceiro desta edição da Mercopar, terá mais de 130 empresas presentes no Centro de Feiras e Eventos da Festa da Uva, em Caxias do Sul. De acordo com Rana Roy, diretor-residente nos EUA do EEPC Índia (Engineering Export Promotion Council), maior organização para a promoção do comércio no país, o interesse em participar de uma feira na Região Sul do Brasil teve início em 2003, quando o EEPC organizou uma exposição exclusiva de engenharia, em São Paulo. Baseado no sucesso do evento, o Conselho decidiu voltar ao Brasil para integrar a Mercopar. O objetivo é mostrar a capacidade e os grandes avanços alcançados pela indústria da engenharia indiana. Os expositores apresentarão seus produtos buscando a possibilidade de interação com os brasileiros, estabelecendo investimentos conjuntos na Índia ou no Brasil para fabricação e distribuição e procurando também atender as crescentes exigências de ambos os mercados.
O EEPC Índia foi estabelecido em 1955 pelo Ministério do Comércio e Indústria. Conta com dois escritórios na Índia, além dos internacionais, como em Chicago (EUA), responsável pela vinda dos empresários indianos à Mercopar, e em Cingapura (Ásia). É certificado pelo ISO 9001: 2000. Cerca de 14 mil empresas de engenharia estão registradas na organização, fazendo com que seja a agência, por excelência, para a promoção do comércio e de investimento no setor. O EEPC Índia atua como um elo de confiança entre os empreendedores indianos e os estrangeiros, ajudando empresas internacionais a localizar parceiros de negócios e fornecedores na Índia.
Subcontratação - Em 2007, os países do Mercosul importaram produtos de engenharia no valor de US$ 71 bilhões, representando 40% do total das suas importações globais, e apenas US$ 14 bilhões em bens de engenharia foram adquiridos dentro da região do Mercosul. "A Índia exportou US$ 615,77 milhões do valor dos bens de engenharia para o Mercosul, em 2008, o que é muito insignificante quando comparado com o potencial que permanece inexplorado", salienta Rana Roy. A subcontratação é um segmento importante da indústria da engenharia, contribuindo significativamente para as exportações de engenharia da Índia. "Era natural que o Conselho identificasse a Mercopar como a feira ideal para a gama dos produtos que as empresas indianas exibem".
Entre as vantagens de participar da Mercopar, a EEPC cita o fato de Caxias do Sul ser a segunda maior cidade gaúcha, um importante centro de negócios e ser relativamente desconhecida para os empresários indianos. "O Rio Grande do Sul é um estado avançado industrialmente, contribuindo para a indústria metalúrgica, o transporte de equipamentos, componentes automotivos, máquinas industriais e muito mais. E isso acontece por ser um polo da indústria da engenharia, na parte sul do Brasil", afirma Rana Roy, complementando que a proximidade da região com outros mercados importantes torna o destino mais lucrativo para as empresas indianas que queiram explorar o mercado no Brasil e nos países de fronteira.
Interação – Já é possível observar um aumento no nível de interação entre as empresas de engenharia de ambos os países. O aumento da participação no mercado brasileiro tem sido marcante, desde 2003, o que resultou no crescimento no comércio bilateral e nos investimentos entre Índia e Brasil. “Essas atividades têm ajudado na compreensão do mercado brasileiro, levando a mais esforços concentrados para complementar e servir às exigências da maior economia da América Latina”, observa Rana Roy. Um dos mais importantes empreendimentos em conjunto (joint venture) da região acontece entre a TATA e a Marcopolo do Brasil para a construção de carrocerias, estabelecido em maio de 2006", acrescenta.
As empresas indianas estarão na Mercopar 2009 com o intuito de fazer parcerias de negócios para os produtos da Índia, estabelecer joint ventures, verificar oportunidades em distribuição e logística no mercado brasileiro e países do Mercosul. "Estas ligações podem ser reforçadas com a união das empresas em busca da colaboração na terceirização de produtos para a Índia ou a criação de instalações para a fabricação no Brasil", avalia.
Metas - No mundo empreendedor, ocorrem vários desafios durante a realização de negócios. E a cultura de cada país é um deles. "Mas a maturidade da indústria de engenharia indiana está preparada para superar estes obstáculos, devido à experiência de quem opera em mercados diferentes, difíceis e variados do mundo", analisa Rana Roy. A distância também é um obstáculo a ser superado. No entanto, não impede o desenvolvimento do comércio, já que a engenharia indiana tem muito a oferecer em termos de tecnologia avançada e processos de fabricação, com um preço muito competitivo. "Há muitas vantagens que compensariam a desvantagem da distância entre a Índia e o Brasil. Questões como distribuição e soluções de logística, a existência de um armazém, entre outras, provavelmente amenizariam as restrições referentes à distância", considera.
Rana Roy afirma que as relações bilaterais entre a Índia e o Brasil têm sido, historicamente, muito boas, posição reforçada por diversas iniciativas empreendidas pelos dois países. Ambos pertencem ao grupo de quatro economias emergentes BRIC (Brasil-Rússia-Índia-China), denominação feita pelo Goldman Sachs, renomado banco de investimento internacional. Além disso, o Brasil é um dos membros do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul), uma iniciativa trilateral de desenvolvimento.
Brasil e Índia, segundo Rana Roy, têm estabelecida uma meta de comércio bilateral de US$ 10 bilhões até 2010. A Índia assinou um acordo comercial preferencial com o Mercosul, que está em vigor desde 1º de junho de 2009. "O Mercosul ofereceu reduções tarifárias para 450 itens provenientes da Índia, dos quais 170 são do setor de engenharia. E lembra que o Brasil é o maior país e o maior mercado na América Latina, além de ser o maior parceiro de comércio. As exportações de produtos de engenharia da Índia para o Brasil aumentaram oito vezes nos últimos cinco anos, chegando a US$ 462,77 milhões em 2008. As exportações tiveram um aumento de 105,67% em 2008, comparado a 2007. Em 2008, a Índia contribuiu com apenas 0,71% das importações globais brasileiras de bens de engenharia, que foi de US$ 66 bilhões.
Exportações - Apesar da crise econômica global, estima-se que a economia indiana tenha crescido aproximadamente 6,7% em 2008/09 e deverá crescer a um nível de 8% a 9% em 2010/09. De acordo com Rana Roy, a entrada de capital estrangeiro no país aumentou consideravelmente em 2008/09, refletindo uma visão muito positiva para a economia. De acordo com os números do Banco Central RBI (Reserve Bank of India), as reservas de divisas estrangeiras na Índia aumentaram de US$ 4,2 bilhões para US$ 255,9 bilhões, por exemplo, para a semana encerrada em 8 de maio de 2009, o que reflete o crescente nível de comprometimento e confiança da comunidade internacional.
As pequenas e médias empresas têm sido a espinha dorsal das principais economias do mundo e a Índia não é exceção. Elas contribuíram para mais de 40% das exportações de engenharia da Índia, e mais de 45% das exportações deste segmento são para países mais avançados, tais como Estados Unidos, Europa, Austrália e Nova Zelândia. As empresas indianas, tradicionalmente, são exportadoras para nações ricas e desenvolvidas, como Estados Unidos, Canadá e países europeus ocidentais. "Eles são usados como meta para seguir as melhores práticas internacionais de negócios. Práticas comerciais internacionais são aceitas como ideais para as empresas indianas", conclui Rana Roy.